Poesia, música, justiça e cinema. E também um pouco de anarquia. Viva a esquerda humanista! Este é um espaço do tamanho da alma, de braços abertos às palavras, às imagens e aos sons que nos fascinam.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
A SOCIEDADE É A IMAGEM DO HOMEM
Quando os homens se tornarem bons, a sociedade tornar-se-á boa, sejam quais forem as bases políticas e económicas em que ela assente. Dizia um bispo francês que preferia um bom muçulmano a um mau cristão. Assim deve ser. As instituições aparecem com as virtudes ou com os defeitos dos homens que as representam.
Teixeira de Pascoaes, in "A Saudade e o Saudosismo"
segunda-feira, 28 de março de 2011
Partir
não posso mais ficar!
Já sei de cor os passos de cada dia,
na boca as mesmas palavras
batidas nos meus ouvidos...
-Ai as desgraças humanas destas paisagens iguais!..
Abro os olhos e não vejo
já não ando, já não oiço...
Não posso mais...
Grita-me a Vida de longe
e eu vou-me embora para além do Tejo.
Passa a ave no céu bebendo azul e diz: -Vem!
O vento envolve-me numa carícia,
envolve-me e murmura: -Vem!
As ondas estalam nas praias e vão mar fora,
as mãos de espuma a prender-me os sentidos
chamam no fundo dos meus olhos: -Vem!
- Camaradas, eu vou, esperai um pouco...
Ai, mas a vida nunca espera por ninguém...
E a noite chega vingadora;
o vento rasga-me o fato,
as ondas molham-me a carne
e a ave pia misticamente no ar;
abro os olhos e não vejo,
já não ando,já não oiço
-e fico, desgraçado de ficar!..
segunda-feira, 21 de março de 2011
Filmes a não perder (clássicos do cinema)
quinta-feira, 17 de março de 2011
As eleições no Sporting 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
Manuel de Arriaga
Dia Internacional da Mulher
terça-feira, 1 de março de 2011
Politiquices
O país civil precisa de dizer estou aqui e tenho uma palavra a dizer. A manifestação do próximo dia 12 de Março vai ser um teste à capacidade dos portugueses se indignarem ou não, perante o facto deste país, neste momento, não dar um futuro aos nossos filhos.
O capital, nomeadamente a BANCA, não está em crise e cada vez apresenta melhores resultados. Porque, quando um banco está em dificuldades, pagamos todos (os trabalhadores). Quando apresenta altos dividendos os beneficiados são apenas os accionistas.
Para além do que já escrevi, nem vale a pena referir os salários milionários pagos aos gestores de empresas públicas com a conivência do governo. Afinal, segundo o governo, a crise é para ser paga pelos que menos têm. Seus IMORAIS!
CN 01/MAR/2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Hora da partida
Escurecem o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Mão na mão
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
O FIM DO SONHO (um conto)
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Dedicado a todas as mulheres vítimas de violência
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Miguel Sousa Tavares no funeral da mãe, Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
DESIDERATA
Sem seres subserviente, mantém-te tanto quanto possível, em boas relações com todos.
Diz a tua verdade calma e claramente e escuta com atenção os outros, mesmo que menos dotados e ignorantes; também eles têm a sua história.
Evita as pessoas barulhentas e agressivas; são mortificações para o espírito.
Se te comparas com os outros podes tornar-te presunçoso ou melancólico porque haverá sempre pessoas superiores e inferiores a ti.
Apraz-te com as tuas realizações tanto como com os teus planos. Põe todo o interesse na tua carreira ainda que ela seja humilde; é um bem real nos destinos mutáveis do tempo.
Usa de prudência nos teus negócios porque o mundo está cheio de astúcia; mas que isto não te cegue a ponto de não veres virtude onde ela existe; muitas pessoas lutam por altos ideais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo.
Sê fiel a ti mesmo. Sobretudo não simules afeição nem sejas cínico em relação ao amor porque, em face da aridez e do desencanto, ele é perene como a relva.
Toma amavelmente o conselho dos mais idosos, renunciando com graciosidade às ideias da juventude.
Educa a fortaleza de espírito para que te salvaguarde numa inesperada desdita. Mas não te atormentes com fantasias. Muitos receios surgem da fadiga e da solidão.
Para além de uma disciplina salutar, sê gentil contigo mesmo.
Tu és filho do universo e tal como as árvores e as estrelas, tens direito de o habitar. E quer isto seja ou não claro para ti, sem dúvida que o universo é–te disto revelador.
Portanto vive em paz com Deus seja qual for a ideia que d´Ele tiveres. E quaisquer que sejam as tuas lutas e aspirações na ruidosa confusão da vida, conserva-te em paz com a tua alma.
Com toda a sua falsidade, escravidão e sonhos desfeitos o mundo é ainda maravilhoso.
Sê alegre. Luta para seres feliz.
A letra desta música baseia-se num manuscrito de 1692, encontrado em Baltimore, na antiga Igreja de S. Paulo.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
As Mulheres da Minha Geração
As mulheres da minha geração são as melhores e pronto! Hoje têm quarenta e muitos, inclusivé cinquenta e tal, e são belas, muito belas, porém, também serenas, compreensivas, sensatas e sobretudo diabólicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou da afectuosa celulite que molda as suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais. Formosamente reais.
Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciadas e casadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que, às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarto intento. Que importa?
Outras, ainda que poucas, mantêm um pertinaz celibatarismo, protegendo-o como uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando, abre as suas portas a algum visitante.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
Nascidas sob a era de Aquário, com a influência da música dos Beatles, de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais.
Herdeiras da revolução sexual da década de 60 e das correntes feministas, que entretanto receberam passadas por vários filtros, souberam combinar liberdade com solidariedade, emancipação com paixão, reivindicação com sedução.
Jamais viram no homem um inimigo, apesar de lhe cantarem umas quantas verdades, pois compreenderam que, se emancipar era algo mais do que colocar o homem para limpar casas de banho ou trocar o rolo de papel higiénico quando este trágicamente se acaba, e decidiram pactuar para viver a dois, essa forma de convivência que tanto se critica, porém, que com o tempo, resulta ser a única possível, ou a melhor, ao menos neste mundo e nesta vida.
São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam.
Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam a sua parecença com Maria, a Virgem, numa noite louca de Sexta-feira ou de Sábado, depois de dançar uma salsa, com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Nietzsche ou do cinema de Bergman.
No fundo das suas mochilas havia pacotes de tabaco, livros de Simone de Beauvoir e fitas de Victor Jara, e ao deixar-nos, quando não havia outra saída, dedicavam-nos aquela canção de Héctor Lavoe que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, e que se chama “Teu amor é um jornal de ontem”.
Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor canções de Silvio Rodriguez e Pablo Milanez. Conheceram os sítios arqueológicos, foram com os seus namorados às praias, dormiram em tendas e deixaram-se picar pelos mosquitos, porque adoravam a liberdade e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que, sem dúvida fizeram e que hoje continuam fazendo na sua formosa e sedutora maturidade.
Souberam ser, apesar da sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas.
Deusas com sangue humano.
O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, inclina-se sobre o assento e, por sua vez, abre a porta do seu acompanhante por dentro.
A que recebe um amigo que sofre, às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo. Ainda quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam, pois o seu sangue não é tão gelado o suficiente para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela música do Santana.
Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 e 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com as suas noites e amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Mãos
mãos que esperam e desesperam pela tua mão
ergo o olhar para o azul e lá me encontro
perdido num infinito mar de esperança
procuro-te qual vagabundo sem rumo
por entre as densas nuvens do desejo
voando por esse céu que me limita
mas não te alcanço
queria beber no teu corpo de água
toda a primavera que adiei
saborear a tua frescura
e renascer dentro dos teus olhos
queria ser o que sempre fui e não viste
e abrir as minhas mãos vazias
onde cabe todo o mundo que és tu
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
E tu partiste
Lá,
NO MEU TEMPO
Na natureza as fêmeas acasalam com os machos, salvo nos casos de hermafroditismo. Agora provou-se que a natureza nem sempre tem razão.
Mas esta geração impõe um limite: embora considere o amor como um conceito muito mais abrangente que a geração anterior, só pode acontecer entre seres humanos. Quem pense que pode casar com o cão ou com o gato (ou com o burro), tire daí a ideia. Ainda que goste mais do animal do que de qualquer ser humano.
Como o Estado constitucionalmente se considera ateu, há que contemplar também na lei o casamento polígamo, já que, "Na sua origem, o ser humano é polígamo", conforme confirma a famosa sexóloga Erika Morbeck, bem como o casamento grupal. O respeito pela liberdade de pensamento impõe, igualmente, a sua legalização.
No meu tempo, os rapazes apaixonavam-se pelas raparigas e sonhavam com o dia em que se uniam pelo matrimónio. Era o dia mais feliz das suas vidas. Concretizavam, assim, o sonho de uma vida e nascia o fruto do amor que dedicavam um ao outro: os filhos.
No meu tempo …
Ai que saudades desse tempo!
C.Nobre [8/JUN/2010]
O FUTURO DO PENSAMENTO ECONÓMICO
Todos os diagnósticos económicos actuais encontram-se padronizados pelo pensamento económico neoclássico. Existe claramente uma tendência para uniformizar o pensamento económico, tornando-o desinteressante, o que pode colocar em causa a existência da Economia como disciplina autónoma, substituindo-a por outros ramos da ciência.
São notórios os avanços nas ciências do conhecimento humano e assustadores os avanços tecnológicos, alterando os comportamentos sociais, enquanto que as teorias económicas passaram mais ao domínio da literatura do que à ciência.
A necessidade de interligar a economia com outras áreas tem vindo a ser incentivada na atribuição de alguns prémios Nobel, nomeadamente, em 1991 a Ronald Coase, cujo trabalho se situou entre a Economia e o Direito, em 1992 a Gary Becker, premiando o desenvolvimento no campo da análise dos mais variados aspectos do comportamento humano, em 1993 a Robert Fogel, no campo da História Económica e principalmente em 1988 ao ser laureado o indiano Amartya Sen, pelas suas contribuições para a economia do bem estar (1), situando o prémio no limite entre a Economia e a Filosofia.
A análise empírica, o desenvolvimento da economia experimental e a aliança com outras ciências sociais, trarão certamente novos contributos para o bem estar dos povos, descapitalizando o que é humano e humanizando o capital. Ou não fosse esse o objectivo da economia: a satisfação das necessidades humanas através da distribuição equilibrada dos bens produzidos, tendo em conta a realidade dos povos e das suas culturas.
C.Nobre (2000)
(1) Para medir o desenvolvimento de uma economia é imperioso levar em conta, para além dos indicadores tradicionais, o Índice de Desenvolvimento Humano e o Índice de Pobreza Humana.

