segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Filmes de 2011 a não perder:

- Os Descendentes (The Descendants) de Alexander Payne, é um filme divertido e sério ao mesmo tempo. O argumento está muito bem construído e a história aborda vários problemas sociais pertinentes e atuais, tais como o conflito de gerações e a infidelidade. Clooney desempenha um personagem que, embora não seja um papel espetacular, não deixa de ser sóbrio e convincente.
Obteve 5 nomeações aos Óscares, entre as quais a de Melhor Filme.

- 50/50 de Jonathan Levine, um dos melhores filmes do ano e que passou quase despercebido. Inspirado numa história recente e real, vivida pelo argumentista, está excelentemente bem interpretado e prende o espectador do princípio ao fim.
Quando tudo se desmorona na vida dum jovem de 27 anos a quem lhe é diagnosticado um cancro raro, que lhe dá 50% de possibilidades de sobrevivência, prevalece a amizade e o valor família.
Obteve 2 nomeações aos Globos de Ouro: Melhor Filme e Melhor Actor (Joseph Gordon-Levitt).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Qual é o teu valor de mercado, mãe?

Desculpa escrever-te uma pequena carta, mas estou tão confuso que pensei que escrevendo me explicava melhor.

Vi ontem na televisão um senhor de cabelos brancos, julgo que se chama Catroga, a explicar que vai ter um ordenado de 639 mil euros por ano na EDP, aquela empresa que dava muito dinheiro ao Estado e que o governo ofereceu aos chineses.

Pus-me a fazer contas e percebi que o senhor vai ganhar 1750 euros por dia. E depois ouvi o que ele disse na televisão. Vai ganhar muito dinheiro porque tem o seu valor de mercado, tal como o Cristiano Ronaldo. Foi então que fiquei a pensar. Qual é o teu valor de mercado, mãe?

Tu acordas todos os dias por volta das seis e meia da manhã, antes de saíres de casa ainda preparas os nossos almoços, passas a ferro, arrumas a casa, depois sais para o trabalho e demoras uma hora em transportes, entra e sai do comboio, entra e sai do autocarro, por fim lá chegas e trabalhas 8 horas, com mais meia hora agora, já é noite quando regressas a casa e fazes o jantar, arrumas a casa e ainda fazes mil e uma coisas até te deitares quando já eu estou há muito tempo a dormir.

O teu ordenado mensal, contaste-me tu, é pouco mais de metade do que aquele senhor de cabelos brancos ganha num só dia. Afinal mãe qual é o teu valor de mercado? E qual é o valor de mercado do avozinho? Começou a trabalhar com catorze anos, trabalhou quase sessenta anos e tem uma reforma de quinhentos euros, muito boa, diz ele, se comparada com a da maioria dos portugueses. Qual é o valor de mercado do avô, mãe? E qual é o valor de mercado desses portugueses todos que ainda recebem menos que o avô? Qual é o valor de mercado da vizinha do andar de cima que trabalha numa empresa de limpezas?

Ontem à tardinha ela estava a conversar com a vizinha do terceiro esquerdo e dizia que tem dias de trabalhar catorze horas, que não almoça por falta de tempo, que costumava comer um iogurte no autocarro mas que desde que o motorista lhe disse que era proibido comer nos transportes públicos se habituou a deixar de almoçar. Hábitos!

Qual é o valor de mercado da vizinha, mãe? E a minha prima Ana que depois de ter feito o mestrado trabalha naquilo dos telefones, o "call center", enquanto vai preparando o doutoramento? Ela deve ter um enorme valor de mercado! E o senhor Luís da mercearia que abre a loja muito cedo e está lá o dia todo até ser bem de noite, trabalha aos fins de semana e diz ele que paga mais impostos que os bancos?

Que enorme valor de mercado deve ter! O primo Zé que está desempregado, depois da empresa onde trabalhava há muitos anos ter encerrado, deve ter um valor de mercado enorme! Só não percebo como é que com tanto valor de mercado vocês todos trabalham tanto e recebem tão pouco! Também não entendo lá muito bem - mas é normal, sou criança - o que é isso do valor de mercado que dá milhões ao senhor de cabelos brancos e dá miséria, muito trabalho e sofrimento a quase todas as pessoas que eu conheço!

Foi por isso que te escrevi, mãe. Assim, a pôr as letrinhas num papel, pensava eu que me entendia melhor, mas até agora ainda estou cheio de dúvidas. Afinal, mãe, qual o teu valor de mercado? E o meu?"

Artigo de Francisco Queirós publicado no Diário As Beiras.

http://www.asbeiras.pt/2012/01/qual-e-o-teu-valor-de-mercado/

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012


O Fio da Vida

Já madruguei nos teus braços
Toquei-te a boca num beijo sem fim

Já foste minha nesse sonho que acabou
Já foste a luz que agora o tempo apagou

E se essa luz me afagava
De cada vez que passavas por mim

Agora queima-se o pavio deste amor
Fecha-se a porta pra tentar fugir à dor

É só poeira

Da caminhada que eu já fiz
Vou-me afastando
Do sonho aonde fui feliz
Ando perdido
Como um amante sem lugar
A vida acaba mesmo sem antes começar
aqui

Eram os teus lépidos olhos
Que davam corda ao meu coração

Agora encosto-me à saudade de nòs dois
Abro a janela para a luz que vem depois


É só poeira
Da caminhada que eu já fiz
Vou-me afastando
Do sonho aonde eu fui feliz
Ando perdido
Como um amante sem lugar
A vida acaba mesmo sem antes começar
aqui

Poema de Ana Carolina para o albúm de
Rodrigo Leão “A Montanha Mágica”

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O FIM DO VERÃO


Sinto-me na margem da vida
Que passa como água correndo
Preciso ouvir uma palavra amiga
Solta e livre como asas ao vento

Sinto que o fim se aproxima
Sei que o tempo me falta
Sei que o Verão está a acabar
A seguir as folhas vão cair
E o frio do Inverno vai chegar

CN 9/2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Quando eu nasci


Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

José Régio

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Filmes a não perder (clássicos do cinema)

Jean de Florette (1ª parte) e Manon das Nascentes (2ª parte) é um épico francês de 1986, realizado por Claude Berri, que rivaliza com os melhores filmes produzidos em Hollywood. A 1ª parte é mais interessante, valoriza o ser humano através da persistência perante a vontade de vencer, enquanto a 2ª parte revela um sentimento mais obscuro: a vingança servida no momento oportuno, como se se tratasse de um acto de justiça ou como se a justiça não fosse um acto de vingança. É uma superprodução, que foge ao padrão noveleiro, mas interessa e entusiasma o espectador até ao fim. Yves Montand, Gérard Dépardieu e particularmente Daniel Auteuil têm papéis dignos de vencer o óscar, que só não aconteceu porque o filme não é americano. No entanto o filme venceu 4 BAFTA, entre os quais o de Melhor Filme e Melhor Actor Secundário (Daniel Auteuil) que é soberbo e inesquecível no papel de Ugolin.

Filmes a não perder (clássicos do cinema)

INHERIT THE WIND (1960) de Stanley Kramer é um filme americano dos anos 60 que nunca foi comercializado em Portugal (talvez porque a igreja católica, na altura, exercia grande influência na censura). É um filme inesquecível e um monumento ao cinema.
Trata dum problema ancestral: a relação entre a religião e a ciência. Na Idade Média o saber estava concentrado na igreja, pois quanto mais inculto fosse o povo mais fácil seria manipulá-lo. Tudo isso está bem patente neste filme em que a ignorância torna os seres humanos menos racionais e por vezes ridículos perante a evidência. De realçar a notável e soberba interpretação do consagrado Spencer Tracy que foi candidato ao óscar de Melhor Actor. Obteve mais 3 nomeações entre as quais a de Melhor Argumento. A riqueza dos diálogos é quase um tratado de literatura. Imperdível.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Liberdade

— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

Miguel Torga, in 'Diário XII'

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Olá

O meu amor nasceu com a vida
Cresceu com o rio até à foz
Foi flor do deserto e sobreviveu
Foi fonte de outras vidas

Mas tu meu amor, não sei quem és
Será que tu sabes?

Sabes, amor?
Estás tão perto mas não te conheço
Queria dizer-te “Olá”
E não sei como começar
Será que tu sabes?
CN2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
O nome das coisas

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Poética


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A SOCIEDADE É A IMAGEM DO HOMEM

O aperfeiçoamento da Humanidade depende do aperfeiçoamento de cada um dos indivíduos que a formam. Enquanto as partes não forem boas, o todo não pode ser bom. Os homens, na sua maioria, são ainda maus e é, por isso, que a sociedade enferma de tantos males. Não foi a sociedade que fez os homens; foram os homens que fizeram a sociedade.

Quando os homens se tornarem bons, a sociedade tornar-se-á boa, sejam quais forem as bases políticas e económicas em que ela assente. Dizia um bispo francês que preferia um bom muçulmano a um mau cristão. Assim deve ser. As instituições aparecem com as virtudes ou com os defeitos dos homens que as representam.

Teixeira de Pascoaes, in "A Saudade e o Saudosismo"

segunda-feira, 28 de março de 2011

Partir

Eu vou-me embora para além do Tejo,
não posso mais ficar!
Já sei de cor os passos de cada dia,
na boca as mesmas palavras
batidas nos meus ouvidos...
-Ai as desgraças humanas destas paisagens iguais!..
Abro os olhos e não vejo
já não ando, já não oiço...
Não posso mais...
Grita-me a Vida de longe
e eu vou-me embora para além do Tejo.
Passa a ave no céu bebendo azul e diz: -Vem!
O vento envolve-me numa carícia,
envolve-me e murmura: -Vem!
As ondas estalam nas praias e vão mar fora,
as mãos de espuma a prender-me os sentidos
chamam no fundo dos meus olhos: -Vem!
- Camaradas, eu vou, esperai um pouco...
Ai, mas a vida nunca espera por ninguém...
E a noite chega vingadora;
o vento rasga-me o fato,
as ondas molham-me a carne
e a ave pia misticamente no ar;
abro os olhos e não vejo,
já não ando,já não oiço
-e fico, desgraçado de ficar!..
MANUEL da FONSECA

segunda-feira, 21 de março de 2011

Filmes a não perder (clássicos do cinema)

Para quem gosta de muita acção aliada a um argumento consistente e a boas performances, aconselho vivamente que vejam um dos melhores western de sempre: A Quadrilha Selvagem (The Wild Bunch), um clássico de 1969 realizado por Sam Peckinpah. Obteve 2 nomeações para os Óscares, entre as quais a de melhor argumento. Os actores são grandes estrelas da época: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O'Brien, Warren Oates e Emilio Fernández. Para quem já viu, de certeza que será um prazer rever.

quinta-feira, 17 de março de 2011

As eleições no Sporting 2011


Augusto Inácio, representante da candidatura de Bruno Carvalho, foi o primeiro a abordar o tema, de forma veemente - de acordo com o "Record" de hoje. "Comigo no Sporting nenhum jogador usará botas vermelhas e se possível todos usarão botas verdes", disse o ex-treinador campeão pelos "leões" (in Expresso on line de 17/3/2011).

O Sporting Clube Portugal é uma instituição que merece o respeito de todos nós, quer sejamos adeptos ou adversários. E o respeito passa pela elevação dos actos e das palavras principalmente de quem tem mais visibilidade, ou seja, dos dirigentes ou candidatos a tal. O amor ao clube não se explica e a rivalidade é salutar. O fanatismo e o anti-outros clubes que gera violência, já se explica cientificamente, porquanto podem ter a ver com patologias que compete aos médicos especialistas da área psiquiátrica avaliar.

No entanto, o que lemos na notícia acima, talvez não se enquadre no parágrafo anterior e não passe duma patetice. O Sr Augusto Inácio, que se candidata a Director Geral de uma grande instituição, acha que tudo o que é vermelho está associado ao Benfica. Espantoso! Uma das primeiras medidas a tomar, para o Sporting voltar às vitórias, é proibir os jogadores de calçarem botas vermelhas. Tão simples, como é que os anteriores presidentes nunca se lembraram disso?

Só espero que o Sr Augusto Inácio nunca precise de fazer uma transfusão de sangue, pois, certamente, não vai aceitar. A não ser que encontre algum dador com sangue verde.

CN – 17/3/2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

Manuel de Arriaga

Era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos.
O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o.
Trabalhou, dando lições de inglês, para poder continuar o curso.
Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado.
Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Foi reitor da Universidade de Coimbra.
Foi Procurador-Geral da República.
Passou cinquenta anos da sua vida a defender uma sociedade mais justa.
Com 71 anos, foi eleito Presidente da República.
Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este.
Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso.
Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar, também, do seu bolso.
Este SENHOR, Manuel de Arriaga, foi o primeiro Presidente da República Portuguesa.

Não deixou seguidores ou discípulos... 

Dia Internacional da Mulher


Não tenho filhos homens, mas se os tivesse, e um deles me perguntasse,
perante as coisas da vida, o que é uma mulher, dir-lhe-ia,
mesmo sabendo que não sei coisa nenhuma, que as mulheres:

São seres feitos de estrelas, de vento, de sol e lua,
moldados por tempestades e pelo sopro divino.

São anjos que nos protegem e demónios que nos tentam,
deixando-nos dominados se as provocamos sem querer.

São o corpo que tomamos quando elas querem assim e
a alma que não logramos aprisionar mesmo querendo.
São as mãos que acarinham e nos deixam sem acção,
ou se a acção nos consentem nos deixam enlouquecidos.

São nosso porto de abrigo onde as amarras nos prendem
depois de termos passado pelo bramido do mar.
São o repouso que queremos depois das guerras que vamos
provocando sem razão.

São guardiãs do passado, as obreiras do presente, as sibilas do futuro
já que tudo lhes pertence, mesmo que a gente não queira.
São o melhor de nós mesmos, mesmo que a gente não saiba
ou não queira admitir.

São as mães que nos geraram e nos protegem e amam
mesmo quando a gente estraga o amor que nos dedicam.
São as mães dos nossos filhos, filhas, irmãs e amigas.
São as nossas companheiras nos caminhos que trilhamos
de que sentimos a falta se abalam do nosso lado
e nos deixam sem a força que sustenta os nossos sonhos.

As mulheres são afinal a outra face de nós
completando o padrão criado pela natureza.

Podem ser tudo o que queres, o que sonhas e desejas,
um bocadinho de inferno ou um pedaço de céu.
Podem ser tudo na vida ou não ser coisa nenhuma,
como tu ou como eu.

Luis Filipe Duarte
8 de Março de 2011

NO MEU TEMPO

No meu tempo, o casamento era fruto do amor entre duas pessoas de sexos diferentes. Agora deixou de ser. Acabo de saber que o amor não existe apenas entre um homem e uma mulher. Esta geração descobriu que o conceito de amor é muito mais lato. Existe também entre dois homens ou entre duas mulheres. Então toca de arranjar meios legais, apadrinhados pelo nosso presidente, para que um homem possa casar com outro homem e uma mulher possa casar com outra mulher.

Na natureza as fêmeas acasalam com os machos, salvo nos casos de hermafroditismo. Agora provou-se que a natureza nem sempre tem razão.

Mas esta geração impõe um limite: embora considere o amor como um conceito muito mais abrangente que a geração anterior, só pode acontecer entre seres humanos. Quem pense que pode casar com o cão ou com o gato (ou com o burro), tire daí a ideia. Ainda que goste mais do animal do que de qualquer ser humano.

Como o Estado constitucionalmente se considera ateu, há que contemplar também na lei o casamento polígamo, já que, "Na sua origem, o ser humano é polígamo", conforme confirma a famosa sexóloga Erika Morbeck, bem como o casamento grupal. O respeito pela liberdade de pensamento impõe, igualmente, a sua legalização.

No meu tempo, os rapazes apaixonavam-se pelas raparigas e sonhavam com o dia em que se uniam pelo matrimónio. Era o dia mais feliz das suas vidas. Concretizavam, assim, o sonho de uma vida e nascia o fruto do amor que dedicavam um ao outro: os filhos.

No meu tempo …

Ai que saudades desse tempo!

C.Nobre [8/JUN/2010]

O FUTURO DO PENSAMENTO ECONÓMICO

Todos os diagnósticos económicos actuais encontram-se padronizados pelo pensamento económico neoclássico. Existe claramente uma tendência para uniformizar o pensamento económico, tornando-o desinteressante, o que pode colocar em causa a existência da Economia como disciplina autónoma, substituindo-a por outros ramos da ciência.

São notórios os avanços nas ciências do conhecimento humano e assustadores os avanços tecnológicos, alterando os comportamentos sociais, enquanto que as teorias económicas passaram mais ao domínio da literatura do que à ciência.

A necessidade de interligar a economia com outras áreas tem vindo a ser incentivada na atribuição de alguns prémios Nobel, nomeadamente, em 1991 a Ronald Coase, cujo trabalho se situou entre a Economia e o Direito, em 1992 a Gary Becker, premiando o desenvolvimento no campo da análise dos mais variados aspectos do comportamento humano, em 1993 a Robert Fogel, no campo da História Económica e principalmente em 1988 ao ser laureado o indiano Amartya Sen, pelas suas contribuições para a economia do bem estar (1), situando o prémio no limite entre a Economia e a Filosofia.

A análise empírica, o desenvolvimento da economia experimental e a aliança com outras ciências sociais, trarão certamente novos contributos para o bem estar dos povos, descapitalizando o que é humano e humanizando o capital. Ou não fosse esse o objectivo da economia: a satisfação das necessidades humanas através da distribuição equilibrada dos bens produzidos, tendo em conta a realidade dos povos e das suas culturas.

C.Nobre (2000)

(1) Para medir o desenvolvimento de uma economia é imperioso levar em conta, para além dos indicadores tradicionais, o Índice de Desenvolvimento Humano e o Índice de Pobreza Humana.