Poesia, música, justiça e cinema. E também um pouco de anarquia. Viva a esquerda humanista! Este é um espaço do tamanho da alma, de braços abertos às palavras, às imagens e aos sons que nos fascinam.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Mãos
mãos que esperam e desesperam pela tua mão
ergo o olhar para o azul e lá me encontro
perdido num infinito mar de esperança
procuro-te qual vagabundo sem rumo
por entre as densas nuvens do desejo
voando por esse céu que me limita
mas não te alcanço
queria beber no teu corpo de água
toda a primavera que adiei
saborear a tua frescura
e renascer dentro dos teus olhos
queria ser o que sempre fui e não viste
e abrir as minhas mãos vazias
onde cabe todo o mundo que és tu
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
E tu partiste
Lá,
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Adeus amigo
É pá, sinto mesmo a tua falta, ainda que muitas vezes só nos víssemos naqueles jantares anuais, sempre em 23 de Dezembro, com a malta toda. E agora? Há uma cadeira que vai ficar vazia para sempre.
Não quero falar do galinheiro, daquele tempo inesquecível, não quero falar da música que ouvíamos na minha casa naquele gira discos das Selecções do Reader's Digest, dos longos serões a contar anedotas, nem das matinés que organizávamos com as raparigas da nossa idade.
Tinha tanto para escrever mas não consigo porque estou emocionado e porque dói. Não te vou dizer até já, porque sei que nunca mais voltarás, dir-te-ei antes que jamais esquecerei todos aqueles momentos que nos fizeram felizes.
Adeus Méninho, agora é mesmo para sempre.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Santo Ofício
Que nascemos da noite, das árvores, das nuvens.
Que viemos, amámos, pecámos e partimos
Como a água das chuvas.
Tu lhes dirás, meu amor, que ambos nos sorrimos
Do que dizem e pensam
E que a nossa aventura,
É no vento que passa que a ouvimos,
É no nosso silêncio que perdura
Tu lhes dirás, meu amor, que nós não falaremos
E que enterrámos vivo o fogo que nos queima,
Tu lhes dirás, meu amor, se fôr preciso,
Que nos espreguiçaremos na fogueira
José Carlos Ary dos Santos
A liturgia do Sangue (1963)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Filmes a não perder
Rita Hayworth foi um mito de hollywood e Glenn Ford considerado um actor de poucos recursos. No entanto, GILDA é uma obra-prima que qualquer amante de cinema não pode deixar de ver. Realizado por Charles Vidor, foi um filme avançado para a época (1946), cheio de sensualidade e até erotismo. Rita Hayworth e Glenn Ford tiveram aqui o seu momento de glória para puro prazer de quem gosta de cinema. É um clássico indispensável.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
Encontro
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Morreu José Saramago
Obrigado Saramago!
POEMA À BOCA FECHADA
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
(José Saramago In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. (3ª edição):
Filmes a não perder
Relata os últimos anos da vida do escritor russo Leon Tolstoy, homem de convicções, cuja ideologia política se incompatibilizou com o amor que sempre dedicou à sua Condessa Sofia, com quem foi casado durante 48 anos.
domingo, 13 de junho de 2010
Maneira de bem sonhar
NO MEU TEMPO
Na natureza as fêmeas acasalam com os machos, salvo nos casos de hermafroditismo. Agora provou-se que a natureza nem sempre tem razão.
Mas esta geração impõe um limite: embora considere o amor como um conceito muito mais abrangente que a geração anterior, só pode acontecer entre seres humanos. Quem pense que pode casar com o cão ou com o gato (ou com o burro), tire daí a ideia. Ainda que goste mais do animal do que de qualquer ser humano.
Como o Estado constitucionalmente se considera ateu, há que contemplar também na lei o casamento polígamo, já que, "Na sua origem, o ser humano é polígamo", conforme confirma a famosa sexóloga Erika Morbeck, bem como o casamento grupal. O respeito pela liberdade de pensamento impõe, igualmente, a sua legalização.
No meu tempo, os rapazes apaixonavam-se pelas raparigas e sonhavam com o dia em que se uniam pelo matrimónio. Era o dia mais feliz das suas vidas. Concretizavam, assim, o sonho de uma vida e nascia o fruto do amor que dedicavam um ao outro: os filhos.
No meu tempo …
Ai que saudades desse tempo!
C.Nobre [8/JUN/2010]
O FUTURO DO PENSAMENTO ECONÓMICO
Todos os diagnósticos económicos actuais encontram-se padronizados pelo pensamento económico neoclássico. Existe claramente uma tendência para uniformizar o pensamento económico, tornando-o desinteressante, o que pode colocar em causa a existência da Economia como disciplina autónoma, substituindo-a por outros ramos da ciência.
São notórios os avanços nas ciências do conhecimento humano e assustadores os avanços tecnológicos, alterando os comportamentos sociais, enquanto que as teorias económicas passaram mais ao domínio da literatura do que à ciência.
A necessidade de interligar a economia com outras áreas tem vindo a ser incentivada na atribuição de alguns prémios Nobel, nomeadamente, em 1991 a Ronald Coase, cujo trabalho se situou entre a Economia e o Direito, em 1992 a Gary Becker, premiando o desenvolvimento no campo da análise dos mais variados aspectos do comportamento humano, em 1993 a Robert Fogel, no campo da História Económica e principalmente em 1988 ao ser laureado o indiano Amartya Sen, pelas suas contribuições para a economia do bem estar (1), situando o prémio no limite entre a Economia e a Filosofia.
A análise empírica, o desenvolvimento da economia experimental e a aliança com outras ciências sociais, trarão certamente novos contributos para o bem estar dos povos, descapitalizando o que é humano e humanizando o capital. Ou não fosse esse o objectivo da economia: a satisfação das necessidades humanas através da distribuição equilibrada dos bens produzidos, tendo em conta a realidade dos povos e das suas culturas.
C.Nobre (2000)
(1) Para medir o desenvolvimento de uma economia é imperioso levar em conta, para além dos indicadores tradicionais, o Índice de Desenvolvimento Humano e o Índice de Pobreza Humana.
