segunda-feira, 28 de março de 2011

Partir

Eu vou-me embora para além do Tejo,
não posso mais ficar!
Já sei de cor os passos de cada dia,
na boca as mesmas palavras
batidas nos meus ouvidos...
-Ai as desgraças humanas destas paisagens iguais!..
Abro os olhos e não vejo
já não ando, já não oiço...
Não posso mais...
Grita-me a Vida de longe
e eu vou-me embora para além do Tejo.
Passa a ave no céu bebendo azul e diz: -Vem!
O vento envolve-me numa carícia,
envolve-me e murmura: -Vem!
As ondas estalam nas praias e vão mar fora,
as mãos de espuma a prender-me os sentidos
chamam no fundo dos meus olhos: -Vem!
- Camaradas, eu vou, esperai um pouco...
Ai, mas a vida nunca espera por ninguém...
E a noite chega vingadora;
o vento rasga-me o fato,
as ondas molham-me a carne
e a ave pia misticamente no ar;
abro os olhos e não vejo,
já não ando,já não oiço
-e fico, desgraçado de ficar!..
MANUEL da FONSECA

segunda-feira, 21 de março de 2011

Filmes a não perder (clássicos do cinema)

Para quem gosta de muita acção aliada a um argumento consistente e a boas performances, aconselho vivamente que vejam um dos melhores western de sempre: A Quadrilha Selvagem (The Wild Bunch), um clássico de 1969 realizado por Sam Peckinpah. Obteve 2 nomeações para os Óscares, entre as quais a de melhor argumento. Os actores são grandes estrelas da época: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O'Brien, Warren Oates e Emilio Fernández. Para quem já viu, de certeza que será um prazer rever.

quinta-feira, 17 de março de 2011

As eleições no Sporting 2011


Augusto Inácio, representante da candidatura de Bruno Carvalho, foi o primeiro a abordar o tema, de forma veemente - de acordo com o "Record" de hoje. "Comigo no Sporting nenhum jogador usará botas vermelhas e se possível todos usarão botas verdes", disse o ex-treinador campeão pelos "leões" (in Expresso on line de 17/3/2011).

O Sporting Clube Portugal é uma instituição que merece o respeito de todos nós, quer sejamos adeptos ou adversários. E o respeito passa pela elevação dos actos e das palavras principalmente de quem tem mais visibilidade, ou seja, dos dirigentes ou candidatos a tal. O amor ao clube não se explica e a rivalidade é salutar. O fanatismo e o anti-outros clubes que gera violência, já se explica cientificamente, porquanto podem ter a ver com patologias que compete aos médicos especialistas da área psiquiátrica avaliar.

No entanto, o que lemos na notícia acima, talvez não se enquadre no parágrafo anterior e não passe duma patetice. O Sr Augusto Inácio, que se candidata a Director Geral de uma grande instituição, acha que tudo o que é vermelho está associado ao Benfica. Espantoso! Uma das primeiras medidas a tomar, para o Sporting voltar às vitórias, é proibir os jogadores de calçarem botas vermelhas. Tão simples, como é que os anteriores presidentes nunca se lembraram disso?

Só espero que o Sr Augusto Inácio nunca precise de fazer uma transfusão de sangue, pois, certamente, não vai aceitar. A não ser que encontre algum dador com sangue verde.

CN – 17/3/2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

Manuel de Arriaga

Era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos.
O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o.
Trabalhou, dando lições de inglês, para poder continuar o curso.
Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado.
Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Foi reitor da Universidade de Coimbra.
Foi Procurador-Geral da República.
Passou cinquenta anos da sua vida a defender uma sociedade mais justa.
Com 71 anos, foi eleito Presidente da República.
Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este.
Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso.
Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar, também, do seu bolso.
Este SENHOR, Manuel de Arriaga, foi o primeiro Presidente da República Portuguesa.

Não deixou seguidores ou discípulos... 

Dia Internacional da Mulher


Não tenho filhos homens, mas se os tivesse, e um deles me perguntasse,
perante as coisas da vida, o que é uma mulher, dir-lhe-ia,
mesmo sabendo que não sei coisa nenhuma, que as mulheres:

São seres feitos de estrelas, de vento, de sol e lua,
moldados por tempestades e pelo sopro divino.

São anjos que nos protegem e demónios que nos tentam,
deixando-nos dominados se as provocamos sem querer.

São o corpo que tomamos quando elas querem assim e
a alma que não logramos aprisionar mesmo querendo.
São as mãos que acarinham e nos deixam sem acção,
ou se a acção nos consentem nos deixam enlouquecidos.

São nosso porto de abrigo onde as amarras nos prendem
depois de termos passado pelo bramido do mar.
São o repouso que queremos depois das guerras que vamos
provocando sem razão.

São guardiãs do passado, as obreiras do presente, as sibilas do futuro
já que tudo lhes pertence, mesmo que a gente não queira.
São o melhor de nós mesmos, mesmo que a gente não saiba
ou não queira admitir.

São as mães que nos geraram e nos protegem e amam
mesmo quando a gente estraga o amor que nos dedicam.
São as mães dos nossos filhos, filhas, irmãs e amigas.
São as nossas companheiras nos caminhos que trilhamos
de que sentimos a falta se abalam do nosso lado
e nos deixam sem a força que sustenta os nossos sonhos.

As mulheres são afinal a outra face de nós
completando o padrão criado pela natureza.

Podem ser tudo o que queres, o que sonhas e desejas,
um bocadinho de inferno ou um pedaço de céu.
Podem ser tudo na vida ou não ser coisa nenhuma,
como tu ou como eu.

Luis Filipe Duarte
8 de Março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Politiquices

O PS tem lutado pela modernização do país, pela educação e pela adopção de novos recursos que possam ser uma alternativa válida e sustentável, relativamente ao petróleo. No entanto, há uma responsabilidade que o PS tem perante a sua história como partido, que é o de ser um partido SOCIALISTA. Implica que o factor social tem de imperar nas medidas a tomar. Não pode pactuar a qualquer preço com o capitalismo, sem salvaguardar alguns valores que são a génese do partido. E o PS tem falhado redondamente neste aspecto. Por isso não me revejo no actual PS, nem acredito nos seus dirigentes.


O país civil precisa de dizer estou aqui e tenho uma palavra a dizer. A manifestação do próximo dia 12 de Março vai ser um teste à capacidade dos portugueses se indignarem ou não, perante o facto deste país, neste momento, não dar um futuro aos nossos filhos.

O capital, nomeadamente a BANCA, não está em crise e cada vez apresenta melhores resultados. Porque, quando um banco está em dificuldades, pagamos todos (os trabalhadores). Quando apresenta altos dividendos os beneficiados são apenas os accionistas.

Para além do que já escrevi, nem vale a pena referir os salários milionários pagos aos gestores de empresas públicas com a conivência do governo. Afinal, segundo o governo, a crise é para ser paga pelos que menos têm. Seus IMORAIS!

CN 01/MAR/2011

NO MEU TEMPO

No meu tempo, o casamento era fruto do amor entre duas pessoas de sexos diferentes. Agora deixou de ser. Acabo de saber que o amor não existe apenas entre um homem e uma mulher. Esta geração descobriu que o conceito de amor é muito mais lato. Existe também entre dois homens ou entre duas mulheres. Então toca de arranjar meios legais, apadrinhados pelo nosso presidente, para que um homem possa casar com outro homem e uma mulher possa casar com outra mulher.

Na natureza as fêmeas acasalam com os machos, salvo nos casos de hermafroditismo. Agora provou-se que a natureza nem sempre tem razão.

Mas esta geração impõe um limite: embora considere o amor como um conceito muito mais abrangente que a geração anterior, só pode acontecer entre seres humanos. Quem pense que pode casar com o cão ou com o gato (ou com o burro), tire daí a ideia. Ainda que goste mais do animal do que de qualquer ser humano.

Como o Estado constitucionalmente se considera ateu, há que contemplar também na lei o casamento polígamo, já que, "Na sua origem, o ser humano é polígamo", conforme confirma a famosa sexóloga Erika Morbeck, bem como o casamento grupal. O respeito pela liberdade de pensamento impõe, igualmente, a sua legalização.

No meu tempo, os rapazes apaixonavam-se pelas raparigas e sonhavam com o dia em que se uniam pelo matrimónio. Era o dia mais feliz das suas vidas. Concretizavam, assim, o sonho de uma vida e nascia o fruto do amor que dedicavam um ao outro: os filhos.

No meu tempo …

Ai que saudades desse tempo!

C.Nobre [8/JUN/2010]

O FUTURO DO PENSAMENTO ECONÓMICO

Todos os diagnósticos económicos actuais encontram-se padronizados pelo pensamento económico neoclássico. Existe claramente uma tendência para uniformizar o pensamento económico, tornando-o desinteressante, o que pode colocar em causa a existência da Economia como disciplina autónoma, substituindo-a por outros ramos da ciência.

São notórios os avanços nas ciências do conhecimento humano e assustadores os avanços tecnológicos, alterando os comportamentos sociais, enquanto que as teorias económicas passaram mais ao domínio da literatura do que à ciência.

A necessidade de interligar a economia com outras áreas tem vindo a ser incentivada na atribuição de alguns prémios Nobel, nomeadamente, em 1991 a Ronald Coase, cujo trabalho se situou entre a Economia e o Direito, em 1992 a Gary Becker, premiando o desenvolvimento no campo da análise dos mais variados aspectos do comportamento humano, em 1993 a Robert Fogel, no campo da História Económica e principalmente em 1988 ao ser laureado o indiano Amartya Sen, pelas suas contribuições para a economia do bem estar (1), situando o prémio no limite entre a Economia e a Filosofia.

A análise empírica, o desenvolvimento da economia experimental e a aliança com outras ciências sociais, trarão certamente novos contributos para o bem estar dos povos, descapitalizando o que é humano e humanizando o capital. Ou não fosse esse o objectivo da economia: a satisfação das necessidades humanas através da distribuição equilibrada dos bens produzidos, tendo em conta a realidade dos povos e das suas culturas.

C.Nobre (2000)

(1) Para medir o desenvolvimento de uma economia é imperioso levar em conta, para além dos indicadores tradicionais, o Índice de Desenvolvimento Humano e o Índice de Pobreza Humana.